terça-feira, 16 de março de 2010

TWITTER: MAIS FERVURA NO CALDEIRÃO POLITICO BAIANO.

O Twitter é a grande novidade desse verão político que finda na Bahia. Virou moda entre parlamentares e assessores, pré-candidatos, jornalistas, publicitários, blogueiros e antenados em política de todas as matizes. Uma nova mania, um vírus que se propagou rapidamente, monopolizando as atenções e elevando a temperatura no caldeirão político baiano.

Quase todos os pré-candidatos, inclusive a governador, estão tuitando, alguns com a ajuda de assessores, outros pilotando o micro-blog pessoalmente, mesmo correndo o risco de escorregar aqui e ali no trato com o verbo. O importante é interagir, participar desse novo ambiente de conversas e debates pré-eleitorais.

Na Bahia, estima-se o número de usuários chega a 100 mil. É óbvio que nem toda essa gente está ligada em política. No Twitter, tem papo pra todos os gostos, comunidades das mais variadas tribos, mas a política é um dos temas em evidência, não só pelo fato de estarmos em um ano eleitoral, mas também porque o micro-blog se transformou numa importante fonte de informação sobre o dia-a-dia da política.

Muito já se tem falado em relação ao papel da internet nas eleições . É grande interesse pelo marketing on-line, estimulado principalmente pelo que se diz e se escreve sobre a campanha de Barack Obama. Há uma enorme expectativa em relação a utilização desse know-how nas eleições brasileiras.

Mas, deve-se observar que Brasil e Estados Unidos tem realidades distintas: mais de dois terços da população americana tem acesso à internet em banda larga. Enquanto que no Brasil, menos de 30% estão conectados à rede, contra uma cobertura de mais de 90% da televisão e 85% do rádio.

Por isso, acredita-se que, pelo menos nessas eleições, os marquerteiros mais experientes vão continuar apostando a maior parte das fichas no rádio e na televisão. Mas, isso não significa que vão ignorar a internet. Os investimentos em marketing on-line deverão ser bem maiores do que em eleições anteriores.

Mas, importância da rede vem aumentando a cada eleição, não só por causa do crescimento do número de internautas, mas também pelo surgimento de novas ferramentas tecnológicas que possibilitam o desenvolvimento de estratégias on-line mais eficazes.

Este ano, entram em cena as redes sociais. Twitter, Orkut, Facebook, Ning, Formspring e outras ferramentas estão no cardápio dos candidatos. Junto com sites e blogs, elas formam um novo sistema técnico que potencializa a internet na aceleração das “horizontalidades” - relações entre as pessoas, grupos e comunidades –, interligando espaços (virtuais/geográficos) e criando ambientes de interação entre candidatos e eleitores.

Tudo isso, além de mudar a forma de enviar e receber informações, dinamiza o cotidiano da política e ajuda a reduzir o impacto das “verticalidades” (mídia tradicional) na formação da opinião pública. Mas, é bom frisar que não basta colocar todos esses novos ingredientes no caldeirão da política, é preciso saber temperar e mexer sempre para o vatapá não desandar.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

QUEM HERDARÁ OS VOTOS DE CIRO?

Com a divulgação das ultimas rodadas de pesquisas eleitorais - Vox Populi e Sensus - volta à cena o debate sobre a permanência ou não de Ciro Gomes na disputa pela Presidência da República. O Planalto tem dado claros sinais de que deseja o deputado fora do caminho de Dilma, porque assim poderá estabelecer, já no primeiro turno, uma disputa plebiscitária com o PSDB. Mas, o candidato do PSB vem insistindo em permanecer na disputa, descartando, pelo menos por enquanto, a hipótese de concorrer ao governo de São Paulo, com o apoio do PT.

Os defensores da candidatura de Ciro argumentam que a manutenção de mais de um candidato da base do governo é estratégica para garantir o segundo turno nas eleições deste ano. E citam como um dos indicativos da pertinência dessa tese o fato de que nos cenários em que a disputa se dá apenas entre Serra, Dilma e Marina, o governador de São Paulo cresce muito, abocanhando a maior parte dos votos que seriam de Ciro.

Ou seja, a saída de Ciro Gomes da disputa não beneficiaria a candidata do presidente Lula, ao contrário, serviria para engordar o bornal do seu maior adversário, o governador José Serra. Vista por esse ângulo, a saída do PSB da disputa seria muito ruim para o PT, na medida em que abriria caminho para uma possível vitória de Serra no primeiro turno.

Contudo, as mesmas pesquisas, olhadas de uma outra forma, apontam outra direção. Na Sensus, por exemplo, no cenário em que Ciro está na disputa, a candidata do PT cresceu de 21,7% (Nov) para 27,8% (Jan). Mas, o candidato do PSB, caiu de 17,5% para 11,9%. Já que Serra apenas oscilou na margem de erro, saindo de 31,8% para 33,2%, os indicativos são de que os votos perdidos por Ciro não estão migrando para o candidato do PSDB e sim para Dilma.

Como explicar, então, o fato de o candidato José Serra crescer 7 pontos e atingir 40% quando Ciro não está na disputa? A hipótese mais plausível é a de que Dilma ainda não é muito conhecida dos eleitores de Ciro. Por isso, na ausência de seu candidato preferido, eles optam, num primeiro momento, pelo nome mais conhecido: José Serra.

As próximas rodadas de pesquisas devem lançar mais luzes sobre os diversos cenários da disputa. É muito provável que Ciro, mesmo em queda, continue insistindo em ser candidato a presidente, pelo menos até março, quando terá uma conversa definitiva com o presidente Lula. Até lá, todo o esforço de Dilma deverá ser no sentido de tornar-se mais conhecida, porque só assim terá chances de não só conquistar mais eleitores de Ciro, mas também os indecisos, que hoje somam 20% Aí poderá evitar uma vitória de Serra, estando Ciro ou não na disputa.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

LULA QUER ALIANÇA DE WAGNER COM CÉSAR BORGES

Como já era esperado, a política tomou conta do cortejo da Lavagem do Bonfim, mas surpreendeu a exagerada ocupação dos espaços com balões, faixas, estandartes e outras peças de propaganda do governo, dos partidos e/ou dos candidatos.

Decididamente, a campanha de 2010 chegou às ruas, antes do que determina a legislação eleitoral e até da conclusão das negociações para a formação das chapas majoritárias. Afinal, ainda falta escolher os candidatos a senador.

Passada a ressaca do Bonfim, a tendência agora é ocorrer uma aceleração no processo de escolha, com todas as atenções voltadas para o senador César Borges (PR). Candidato à reeleição, ele está sob pressão, sendo cortejado tanto pelo governo como pela oposição.

O senador está dividido, vivendo um dilema. De um lado, estão os antigos companheiros do carlismo, com quem ainda mantém boas relações, mesmo estando em um partido que faz parte da base de apoio do presidente Lula. Do outro, antigos adversários e possíveis aliados do futuro.

O coração de CB pende para uma composição com o DEM. Não morre de amores por Paulo Souto, mas os laços antigos com a família Magalhães ainda são muito fortes. E não os romperá ou os colocará em risco, a não ser por um motivo político muito justo.

Como, em política, a razão termina sempre prevalecendo, não será surpresa se CB vier a anunciar, nos próximos dias, a aliança com Jaques Wagner, ocupando uma das vagas do Senado, ao lado de Otto Alencar. Nessa composição, JW teria Lidice como vice.

Essa chapa já contaria inclusive com o apoio da direção nacional do PR e, principalmente, com a simpatia e o incentivo do presidente Lula. Daí o esforço que o governador vem fazendo nos últimos dias para convencer César Borges.

Mas o senador, mesmo sob toda essa pressão, continua indefinido, pelo menos por enquanto. E vai continuar assim até encontrar um bom argumento para justificar o seu apoio a Wagner.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

SUCESSÃO PROMETE ESQUENTAR NO VERÃO

A sucessão baiana deve adquirir uma nova dinâmica a partir deste verão. Passou a fase da organização dos exércitos - as alianças já estão praticamente definidas, faltando apenas o PR do senador César Borges decidir com quem vai se alinhar nas próximas eleições.


O último Datafolha, publicado em dezembro do ano passado, não trouxe grandes novidades, mas causou uma grande ebulição no ambiente político, com cada um dos grupos tentando interpretá-la a seu favor.

A oposição festejou apontando o crescimento de Paulo Souto (5%) e Geddel (4%), no cenário mais provável, mas não soltou foguetes, talvez um pouco frustrada por não ter acontecido a tão esperada queda de Wagner nas intenções de voto.

Os governistas, por sua vez, festejaram a liderança de Wagner, esquecendo que ele cresceu pouco desde a ultima pesquisa, em março – uma variação de apenas três pontos no Estado, ficando no limite da margem de erro. Além disso, caiu 4% no voto espontâneo e oscilou um ponto para baixo nas intenções de voto no interior (39/38).

No entanto, um dado positivo e muito importante passou despercebido aos governistas: entre março e dezembro, Wagner cresceu 13%, em Salvador, e 14% na RMS. Uma performance surpreendente, levando-se em conta o fato de que, desde a campanha de 2008, a Capital era o calcanhar de Aquiles das forças governistas.

Como se vê, pelos números do Datafolha, o governador está bem na Capital, mas ainda precisa trabalhar muito para consolidar um cenário mais favorável à sua reeleição no interior.

Nos últimos meses, Wagner vem ganhando forças e saindo do canto do ringue, para onde vinha sendo empurrado pelos adversários desde a posse. Após o rompimento com o PMDB de Geddel Vieira Lima, o governador parece ter despertado da letargia política que o aprisionava e partiu para a ofensiva.

Ao mesmo tempo em que tentava recompor a sua base parlamentar e política, intensificou as viagens ao interior, seguindo a mesma trilha de Lula, que em 2005, ao invés que ficar Brasília acuado pelas denuncias do mensalão, começou a viajar pelo Pais, inaugurando obras e mantendo contato direto com a população. Wagner aprendeu a lição e está plantando no interior, mas ainda não colheu os frutos desse trabalho.

Alem disso, o governador vem tentando acertar a comunicação, que vinha claudicando desde o inicio do mandato. As ultimas campanhas indicam que está havendo um esforço para acertar.

Tudo bem, é importante dizer que o governo cuida mais dos pobres, que está fazendo muito mais por Salvador, mas também é preciso dizer o que está sendo feito para garantir desenvolvimento do Estado e criar mais oportunidades para todos. Para onde caminha a Bahia? Para onde vamos? Quais são a perspectivas para o futuro?

É isso que todo mundo vai querer saber antes de conceder um novo mandato para Jaques Wagner.